Destaque da AAN: Uma Dieta Vegetariana Não é Só Mais Saudável, Como Mais Segura, Dizem Adventistas

A pirâmide alimentar vegetariana. [Imagem de cortesia da Universidade Loma Linda]
Notícias recentes da Administração de Alimentação e Drogas, nos EUA, indicam que companhias que vendem carne algumas vezes usam monóxido de carbono para manter a carne com aparência vermelha, mais atraente aos consumidores. Embora muitos médicos concordem que o monóxido de carbono empregado em pequenas quantidades não constitui perigo, a preocupação é que isso possa levar a que até carne podre tenha aparência de vermelha e nova.
Isso vem somar-se a outras preocupações relacionadas com carne nos últimos anos, tais como a danosa doença da vaca louca, ou encefalopatia espongiforme, que pode ser fatal em seres humanos; uma preocupação de que um aumento em mercúrio em certos tipos de peixes possa causar dano cerebral a fetos e crianças pequenas; e na mais recente ameaça à saúde pelo consumo de carne representada pela febre de aves que está se espalhando por frangos e outros pássaros. Conquanto a carne há muito seja considerada por muitas sociedades um aspecto central de seu regime alimentar, a Igreja Adventista do Sétimo Dia continua a recomendar um regime vegetariano, sobretudo por razões nutritivas e espirituais.
"A segurança de um ambiente rico em monóxido de carbono em carne empacotada provavelmente não aumente em grande medida o perigo de comer carne, desde que esta haja sido conservada em temperatura de refrigeração segura por tempo não maior do que o aceitável, e daí seja apropriadamente cozida", disse o Dr. Kenneth I. Burke. Ele acrescentou que a prática de reduzir o envelhecimento de carne não é incomum. Burke, um cientista em alimentação e professor emérito da Universidade Loma Linda, da denominação, tem lecionado cursos em ciência de alimentação por mais de 20 anos. Ele faz observar que embora qualquer alimento--carnes ou vegetais--possam contaminar-se, "organismos causadores de doenças são abundantes na carne, [e] a possibilidade de contaminação e transmissão de doenças sempre foi uma questão de segurança".
Saber que o monóxido de carbono pode fazer com que carne em putrefação tenha aparência de carne fresca "reforça meu comprometimento em manter-me longe da carne", comentou Grazyna Dabrowska, uma instrutora de estilo de vida, membra da Igreja Adventista. "Nós somos visuais quando chegamos à compra de alimentos, e podemos facilmente perceber o que tem aparência fresca e o que está estragado. Se eu não posso confiar em meus olhos para ver a diferença, então não tenho controle sobre minhas escolhas. Eu recomendo altamente um regime saudável de grãos orgânicos e legumes, frutas e vegetais de cores vivas, que oferecem uma elevada qualidade de nutrientes para nosso organismo sem os danosos efeitos de hormônios de crescimento e produtos cárneos tratados quimicamente".
Nos EUA medidas têm sido tomadas para aumentar a segurança da carne para o consumo humano. Um ano atrás, a Administração de Alimentos e Drogas (sigla em inglês, FDA) implementou um novo método para impedir a difusão da doença da vaca louca, que inclui a prática de alimentar a maioria dos mamíferos com proteína de origem animal, com até resíduos de aves como ingrediente alimentar para ruminantes. Os resíduos de aves incluem até penas e material fecal coletados em granjas de criação de frangos.
"A questão de carnes puras e sem contaminação é fonte de preocupação para muita gente, inclusive para a indústria de carne, e em grande medida tentam preservar um produto de boa qualidade", declarou o Dr. Allan Handysides, diretor de ministérios de saúde da IASD a nível mundial. Contudo, "o problema que temos com carne tem menos que ver com questões de sua contaminação e tempo de conservação, o que se aplica também a alimentos vegetais, como com fatores intrínsecos tais como conteúdo de gordura saturada e, no caso de peixes, sua poluição com componentes de mercúrio e outros metais pesados antes de chegar à manipulação. Há pouca dúvida de que quanto menos alimento cárneo seja consumido e mais o regime alimentar contenha alimentos de plantas integrais, mais saudável um indivíduo terá possibilidade de ser".
O comentário de Handysides reflete a posição adventista sobre um regime vegetariano. No ano 2000 o concílio de alimentação da Igreja explicou que "por mais de 130 anos os adventistas têm promovido um estilo de vida vegetariano por causa de sua crença na natureza holística da humanidade. Seja o que for que se faça no comer ou beber, deveria ser para honrar e glorificar a Deus e preservar a saúde do corpo, mente e espírito".
Um estudo dos anos 60 realizado pela Universidade Loma Lina e patrocinado pelos Institutos Nacionais de Saúde (sigla em inglês NIH) analisou o estilo de vida dos adventistas. O estudo descobriu que os adventistas, em geral, têm 50 por cento menor risco de doença cardíaca, certos tipos de cânceres, ataques de coração e diabete.
"Não desejo dizer que ser vegetariano eliminará todas as doenças, mas os vegetarianos vivem mais tempo e o Estudo Sobre Saúde dos Adventistas comprova isso", disse o Dr. Burke.
O NIH está patrocinando um segundo estudo sobre os adventistas para ver se há uma ligação entre regime alimentar e câncer.
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