De volta ao rebanho; Pastor Retornado Ministra a Ex-Membros

Mike Jones, que deixou a Igreja por 16 anos, agora ministra a ex-adventistas. "Poderia enviar o seu boletim para meu filho?" ele ouve freqüentemente. [Foto: Rajmund Dabrowski/ANN]
Mike Jones aprecia muito um passeio solitário pelas montanhas que rodeiam sua casa em Portland, Estado de Oregon, nos EUA, no sábado à tarde, mas lhe dirá que a vida sem relacionamentos é como uma dança sem música: uma série de movimentos sem sentido.
O mesmo se passa com a freqüência à Igreja. Se os adventistas do sétimo dia não mantiverem amizades sólidas e fortalecedoras com outros membros, Jones sabe em primeira mão que isso torna mais fácil o abandono da Igreja.
Jones, que passou 16 anos fora da Igreja, sabe que muitas vezes, crentes novos e que retornam ao seio da Igreja encontram congregações menos do que amistosas os esperando. Mas em lugar de se queixar, ele lançou em 2.003 a Operação Reconexão, um ministério que visa a trazer de volta membros que deixaram a Igreja.
Seu boletim trimestral, "Getting in Touch" [Mantendo contato] alcança cerca de 15.000 adventistas inativos ou que deixaram a Igreja. Trabalhando em parceria com o ministério adventista de A Voz da Profecia, o ministério de Jones destaca relacionamentos--não sermões--para tornar a Igreja "à prova de apostasia".
Um estudo de 2.006 pelo Concílio Sobre Evangelismo e Testemunho da Igreja Adventista oferece boas razões para a ênfase de Jones sobre a comunidade da Igreja. Dá conta de que ex-adventistas muitas vezes citam uma falta de amizade entre as principais razões para terem deixado a Igreja.
O boletim de Jones ajudou Bruce Barnett, funcionário especializado de uma companhia de máquinas em Washington, a se rededicar à Igreja. Após servir como ancião, tesoureiro de uma congregação e diretor de Escola Sabatina por mais de uma década, Barnett e a esposa se divorciaram. Em resposta, seus colegas de ancianato instaram com ele para que renunciasse a seu cargo de liderança. Quando não revelaram interesse em seu bem-estar, ele também renunciou a sua condição de membro. Mas Barnett continuou a freqüentar a Igreja. "Eu não tinha nada de que me envergonhar, nenhuma razão para trocar de Igreja. Mas sentia-me alienado", diz ele. "Mesmo bons amigos que tentaram ficar do meu lado foram pressionados a deixar de ter amizade comigo".
Vários anos depois, Barnett leu um artigo escrito por Jones para um periódico denominacional local. Tocado pelo ministério de Jones junto a ex-adventistas, Barnett telefonou para ele. "[Jones] não moveu qualquer varinha mágica, mas ofereceu sua bondade, interesse e amizade", lembra Barnett. "Sentimentos feridos é um tema comum entre ex-adventistas", declara Jones. "Eu peço muitas desculpas pela Igreja após ouvir esses relatos". Jones admite que obtém poucas respostas diretas de ex-adventistas. "Na maioria são mães, pais e avós que nos oferecem nomes e endereços de seus filhos.
Ele crê que o seu trabalho está longe de ter fim, estimando que pelos menos um milhão de ex-adventistas vivem na América do Norte. "Na Voz da Profecia nos preocupamos muito com os muitos membros inativos e sentimo-nos felizes em estar associados à Operação Reconexão", declara Lonnie Melashenko, diretor de A Voz da Profecia. "Mike Jones e sua esposa alcançam ex-adventistas--não os repreendendo, ou fazendo-os sentirem-se culpados, mas amando-os no processo de reconquistá-los para a Igreja.
Como muitos outros, Jones deixou a Igreja, não por razões ideológicas, mas por causa de relacionamentos. Quando divorciou-se da esposa em 1983, ele se preocupava que os sentimentos negativos dirigidos a ele poderiam refletir-se sobre a Igreja. "Não houve escândalo", explica Jones. "Apenas deu-se que foi um casamento que não deu certo e senti que seria melhor para a Igreja que eu saísse. Eu presumo que um bom número de irmãos na época concordou com isso".
Ele diz que o silêncio que enfrentou após ter saído certamente não contradisse seus pressupostos. Considerando os seus anos como redator da revista "Insight", magistério de jornalismo na Universidade Andrews, da Igreja Adventista, e trabalho pastoral em Oregon e Alasca, Jones surpreendeu-se com a falta de contacto da Igreja. "Eu nunca tive comunicação deles. Uma vez que parti, parti". Mais de uma década depois, um pastor adventista aposentado em Oregon instou com Jones para retornar à Igreja. "Minha primeira pergunta foi, 'para quê?' Eu amava o Senhor, tentava harmonizar minha vida com Seus princípios e observava o sábado. Por que devia retornar? [O pastor] me disse, 'Por que a Igreja precisa de você'. "Faça-me o favor", lembra-se Jones de ter reagido com uma gargalhada.
Um relacionamento então fez o que uma Igreja aparentemente indiferente não poderia realizar. Após estar sozinho por 13 anos, Jones conheceu um mulher chamada Diane num centro de danças. Em vista de que Diane somente namorava cristãos ativos, Jones concordou em considerar o retorno à Igreja sob a condição de que Diana também considerasse aceitar o sábado. Menos de um ano depois, os dois se casaram e uniram-se à Igreja Adventista por profissão de fé.
Mas os seus novos irmãos estavam longe de parecerem receptivos. "Pouco depois que minha esposa e eu começamos a novamente freqüentar a Igreja, ela disse, 'Aquela gente não gosta mesmo de nós. Tratam-nos como se nem notassem que estamos ali'. Poderíamos parar de ir lá novamente, mas em vez disso decidimos ajudar os membros da Igreja a se tornarem mais amistosos. Algum benefício real derivou da falta inicial de amizade", declara Jones.
Juntamente com o boletim, Jones e sua esposa apresentam 'Seminários de Amizade' para ensinar os membros da Igreja a "como serem gentis". A Voz da Profecia oferece uma versão em vídeo de seus seminários através de seu Website.
"Se ao menos 25 por cento de nossos membros dissessem 'como vai', ou 'olá' a três pessoas cada sábado de manhã, especialmente àqueles que não conhecemos", diz Jones, "o fator amizade de nossas igrejas seria incrível". "Se os membros podem aprender a desenvolver interesse, comunicar-se, convidar visitantes para almoçar, perguntar como vão as coisas, há muito que podem realizar para mudar de fato o tom das congregações numa maneira que a Igreja como um todo provavelmente não conseguiria".
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