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O presidente mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia apelou aos adventistas para estabelecerem parcerias com outras organizações de saúde para oferecer atendimento primário de saúde globalmente, uma solicitação que insta os membros e instituições da denominação a renunciar a metodologias individualísticas para oferecer assistência em comunidades.
Os comentários de Jan Paulsen ocorreram no dia de abertura de uma conferência sobre saúde global, que está explorando formas de promover metas de saúde pública mediante parcerias e o papel que organizações confessionais (sigla em inglês FBO) desempenham em tal esforço. Dirigentes de saúde da Igreja também esperam demonstrar o papel que a espiritualidade e o viver holístico podem desempenhar na assistência primária de saúde, e encontrar terreno comum quando atuando com parceiros.
Recentemente, a Organização Mundial de Saúde, uma agência das Nações Unidas, tem buscado fortalecer as parcerias com FBO's, que são responsáveis por até 40 por cento de atendimento primário em algumas nações.
Ontem, oficiais da Igreja Adventista se reuniram numa conferência de alto nível com dirigentes da OMS em Genebra para explorar meios eficazes de parceria, particularmente pela implementação das Metas de Desenvolvimento do Milênio, da ONU. Líderes de ambas as organizações têm se reunido várias vezes nos últimos dois anos, e o seu trabalho culminará na Conferência Global Sobre Saúde e Estilos de Vida desta semana
Eu seu discurso, Paulsen instou ao envolvimento comunitário como um meio de os adventistas expressarem seus próprios valores numa era de globalização. Tal envolvimento, ele disse, definiria a percepção do público da metodologia de atendimento primário à saúde da Igreja..
"Uma concepção de cristianismo individualística, que só pensa em si, é inteiramente estranha ao Salvador que foi em busca do cego para curar-lhe os olhos, curou leprosos e uma mulher emocionalmente quebrantada", declarou Paulsen. "Não podemos expressar nossa fé, nosso desejo de imitar a Cristo, em isolamento".
Paulsen falou para cerca de 500 líderes eclesiásticos num salão de conferências lotado da Universidade de Genebra, o local da conferência.
Durante seu discurso de meia hora Paulsen declarou que a Igreja prosseguiria dando prioridade a facilitar, financiar e apoiar a atenção médica profissional mediante sua rede de mais de 600 hospitais, clínicas e dispensários. O enfoque da denominação em saúde por 150 anos também destaca a educação sanitária, advocacia do vegetarianismo e vida isenta de álcool e drogas.
Paulsen também abordou preocupações de que parcerias poderiam chocar-se com a missão da Igreja, declarando: "Alguns têm sido críticos, e com razão, de uma perspectiva escatológica que serve simplesmente a reconciliar-nos com as misérias atuais. Esperar [pelo retorno de Cristo] não é um exercício passivo, mas algo que exige ação [no] presente".
A ênfase da Igreja em saúde, declarou Paulsen, não devia ser apenas no sentido de tratamento de doenças, definir o que é saudável para comer ou beber, ou o treinamento de profissionais de saúde. "Nossa atuação em saúde é um conceito que abrange tudo quanto contribua para a plenitude da existência humana", disse ele.
Um oficial da OMS observou que a Igreja Adventista no passado tem às vezes atuado numa forma mais fechada, mas disse que acolhia bem a parceria.
"Creio que a Igreja Adventista está pronta para relações oficiais conosco", declarou Ted Karpf, um oficial junto ao Departamento de Parcerias e Reforma da ONU junto à OMS.
"De início a Igreja está aqui como parceira, assim alguma mudança já ocorreu", declarou Karpf.
Dirigindo-se ao encontro, Jean Duff, diretor-executivo do Centro Para Ação Interconfessional Sobre Pobreza Global, reconheceu a Igreja Adventista como uma "parceira fiel em mobilizar seus recursos de saúde e infra-estruturas" a fim de colaborar num programa interconfessional de combate à malária em Moçambique.
Muitos dos líderes de Ministérios da Saúde disseram terem acolhido bem os comentários de Paulsen.
"Creio que ele definiu uma nova direção", declarou Chester Kuma, diretor-associado de Ministérios de Saúde para a região eclesiástica do Pacífico Sul. "Ele propiciou um grande desafio para a denominação, conduzindo-nos de volta ao que é básico. É um bom lembrete sobre compaixão e assistência aos pobres".
Elie Honore, diretor de Ministério de Saúde para a região inter-americana, declarou que os comentários de Paulsen não visavam somente aos líderes de saúde da igreja, mas a muitos de seus segmentos. "Temos aqui educação representada, e ministério, bem como liderança", comentou Honore.
"Ele nos fez recordar as perguntas que devíamos estar indagando. Não iremos somente apegar-nos a ideias ou teorias, mas abrir os olhos à comunidade e cumprir nossa missão como Igreja".
Conquanto dirigentes da Igreja busquem atuar com parceiros de saúde global, também esperam demonstrar o valor de cuidado holístico da Igreja -- a integração das necessidades físicas, mentais e espirituais em avaliar a saúde global.
Ontem, durante encontro com oficiais da OMS na Sala da Junta Executiva da organização, o diretor de Ministérios de Saúde da Igreja Adventista, Dr. Allan Handysides, ressaltou que o valor essencial, fundamental da assistência à saúde é a apreciação pela vida humana.
"A atuação de assistência deve ser inclusiva a todos, a despeito de gênero, religião ou raça", declarou ele.
A Conferência Global Sobre Saúde e Estilo de Vida prossegue até sexta-feira. Outros oradores e apresentadores de oficinas incluem David Williams, professor de saúde pública da Universidade Harvard; Sir Michael Marmot, diretor do Instituto Internacional Para Sociedade e Saúde; e Alex Ross, diretor da OMS para o Programa Sobre Pareceria e Reforma das Nações Unidas.