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Co-fundador da Igreja Adventista no Nepal fala sobre como alcançar seus compatriotas

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Co-fundador da Igreja Adventista no Nepal fala sobre como alcançar seus compatriotas

Bhaju Ram Shrestha ajudou a fundar a Igreja Adventista no Nepal. Ele tem traduzido várias edições do Guia de Estudo da Bíblia na língua nepalesa, mas somente cerca de 10 por cento dos membros da Igreja Adventista no Nepal são alfabetizados.

Escrevendo para uma membresia de maioria analfabeta; lavando os pés dos 'intocáveis'

May 28, 2008 | Silver Spring, Maryland, United States | Ansel Oliver/ANN

Bhaju Ram Shrestha foi expulso de casa quase 40 anos atrás por ter-se tornado um cristão protestante num país de maioria hindu. A despeito de ter sofrido por sua fé, ele, agora com 57 anos, tem-se dedicado à Obra da Igreja no seu Nepal nativo.


Shrestha criou a primeira tradução conhecida do Guia de Estudo Bíblico para Adultos da Igreja Adventista para a língua nepalesa, que é falada por quase 30 milhões de pessoas naquela nação do sudeste asiático. O país, diz ele, está enfrentando sérios conflitos políticos.


Nesta semana, enquanto se espera que uma nova assembléia que tome posse e elimine a monarquia do país, Shrestha se correspondia com a Rede Adventista de Notícias mediante e-mail de sua casa na capital nepalesa de Kathmandu.


O esperto assistente de professor e bibliotecário é co-fundador da primeira Igreja Adventista no Nepal e do escritório local da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais. Eis alguns trechos da entrevista.


Rede Adventista de Notícias: Há cerca de 5.400 membros da igreja no Nepal. Como é o entendimento deles do cristianismo e da Igreja Adventista?


Bhaju Ram Shrestha: Em algumas regiões as pessoas são educadas a respeito das doutrinas, mas em outras regiões as pessoas somente podem dizer “Jesus”. Desejamos que os crentes saibam qual é nossa posição quanto a nossas crenças. Descobrimos que alguns se afastaram da principal igreja apenas porque não sabem no que crer.


ANN: As lições bíblicas da Igreja estão disponíveis em 120 línguas. O que o motivou a enfrentar todo o trabalho de traduzi-las para a língua nepalesa?


Shrestha: Eu comecei pensando apenas na congregação imediata, daí a lição evoluiu. Atualmente algumas lições são também enviadas para o Butão. Eu me sinto chamado a projetar a imagem de Jesus e da Igreja da melhor forma que sei fazer. Quanto a motivação para traduzir, após minha esposa ter falecido eu costumava ficar acordado algumas horas antes de começar o meu dia. Não a tendo comigo, sentia que estava desperdiçando preciosas horas apenas acordado. Orei e então senti a impressão de que o Senhor desejava que eu usasse aquelas horas matinais para traduzir as lições. Assim, de certa forma, eu diria, Deus converteu minha tragédia e a empregou para a Sua estratégia.


ANN: Você traduz a língua escrita para um país com pelo menos 50 por cento de analfabetos. Como se ensina doutrinas num ambientes assim?


Shrestha: Admito que talvez 90 por cento [de nossos membros] não sabem ler ou escrever, contudo, formam o principal núcleo de crentes. Quando eu prego para eles, são os melhores ouvintes que encontro. Muitas vezes eles me agradecem pelas preciosas palavras que lhes apresento a partir da Bíblia.


ANN: Poucos meses atrás você mencionou que a situação política poderia tornar-se tão séria quanto as lutas do Quênia. Como está a situação agora?


Shrestha: A situação no Nepal é inteiramente diferente. Que coincidência que esteja publicando esta entrevista numa época em que o Nepal está sendo declarado uma república. Ontem, eu estava em meio a uma multidão quando uma bomba explodiu. Eu a ouvi, mas não me afetou, exceto que o meu coração bateu mais depressa. Daí, eu saí daquele meio e tirei foto de outra bomba que o esquadrão antibombas estava a ponto de desativar. Ninguém sabe o que vai acontecer. Às vezes a situação de segurança é muito débil. Eu fui agredido por alguns jovens recentemente no início da noite. Até aqui, porém, a situação política não afetou o trabalho da Igreja. Conquanto eu possa ter pintado um quadro negativo de meu país, pode estar certo de que a vida prossegue normalmente. Oramos pelo país e seus líderes, e avançamos com as tarefas que Deus nos atribuiu.


ANN: Você anteriormente se referiu a essa região do mundo como “um ambiente infectado por discriminação de castas”. O que o cristianismo oferece a uma sociedade assim?

Shrestha: É o cristianismo que cria a igualdade. A classe dos sapateiros, alfaiates e ferreiros é composta de “intocáveis” no Nepal. Nenhuma pessoa de casta superior se aproximaria deles e se sentiria puro. Mas quando vamos a eles e lhes lavamos os pés, eles se sentem reafirmados como filhos e filhas de Deus.

ANN: Você disse que há pessoas de outras denominações que discriminam contra os adventistas do Nepal. O que um novo membro da Igreja precisa saber nesse país?


Shrestha: Quando eu aceitei a Jesus 40 anos atrás, poderia haver um total de 1.000 cristãos aproximadamente no Nepal. Agora há quase um milhão. Mesmo assim, uma vez se torne uma pessoa cristã, passa a ser desprezada. (eu mesmo foi expulso de casa por me batizar). Precisa-se de alguém e alguma coisa em que se apegar e fazer tal pessoa sentir-se como parte da família divina.

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