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No Paquistão, multidão queima casas em violência anti-cristã

No Paquistão, multidão queima casas em violência anti-cristã

Cristãos paquistaneses analisam danos em suas casas na manhã seguinte após manifestantes muçulmanos atearem fogo a um bairro de maioria cristã de Lahore em 9 de março. Os defensores da liberdade religiosa estão culpando leis severas contra a blasfêmia do Paquistão em permitir o protesto. [foto: Rex Features via AP Images]

Pelo menos 170 casas e negócios destruídos; 40 famílias adventistas afetadas

March 12, 2013 | Silver Spring, Maryland, United States | Elizabeth Lechleitner/ANN

Moradores de uma comunidade cristã no leste do Paquistão, entre eles adventistas do sétimo dia, estão sofrendo depois que uma multidão incendiou suas casas e negócios em resposta a supostos insultos contra Maomé.



A agitação começou na semana passada depois que circulou um relato de que um jovem cristão havia cometido blasfêmia contra o profeta do Islã. Em 9 de março a situação agravou-se e milhares de manifestantes começaram a atear fogo a propriedades pertencentes a cristãos num bairro de Lahore.

Embora alguns moradores sofressem ferimentos, não houve perda de vidas. A maioria dos cristãos já havia fugido sob ameaças de violência e advertências da polícia para sairem, contou um representante da Igreja Adventista no Paquistão.

Propriedades da Igreja e casas de membros da Igreja Adventista, no entanto, sofreram "danos de monta", disseram líderes denominacionais. A casa alugada do pastor adventista local, Afzal Bhatti, e sua família foi destruída, juntamente com as casas e pertences de pelo menos 40 adventistas.

Livros, Bíblias e equipamentos de som na igreja adventista local foram queimados, mas o prédio em si resistiu aos danos menores causados ​​pela água com que os bombeiros buscavam controlar as chamas nas proximidades, relatou uma equipe adventista de pesquisa.

Pelo menos 170 casas e negócios foram incendiados, segundo a Associated Press.

Bhatti e sua família estavam entre os moradores que saíram enquanto a multidão dirigia-se para a sua comunidade. "Na pressa, o Pastor Bhatti deixou para trás o seu telefone celular e o cartão de identificação", disse um representante da Igreja, acrescentando que um manifestante arrancou-lhe os óculos do rosto ao ele fugir.

Bhatti e sua esposa, Parveen, retornaram na manhã após os motins para consolar e orar com os membros da comunidade afetados. Mais tarde, a família começou o processo de reconstrução de suas vidas adquirindo artigos necessários de trabalho, estudo e ministério.

No início desta semana, o governo do Estado se comprometeu a compensar cada família afetada com o equivalente de 2.000 dólares. Desde então, o governo federal do Paquistão prometeu um adicional de 5.000 dólares por família.

A Igreja Adventista e a Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA) no Paquistão estão avaliando a situação e dando assistência aos membros da comunidade cristã afetada.



Menos de cinco por cento dos paquistaneses são cristãos, e blasfêmia contra o Alcorão ou o profeta Maomé pode levar à pena de morte. Especialistas em liberdade religiosa têm observado que as leis de blasfêmia são frequentemente usadas ​​para reprimir minorias religiosas ou resolver disputas pessoais.

Em 2011, Salmaan Taseer, um empresário e político paquistanês, e Shahbaz Bhatti, o único cristão no gabinete paquistanês, foram assassinados por sua oposição à legislação contra blasfêmia. Os defensores da liberdade religiosa há muito tempo têm pedido ao Paquistão para aliviar seus controles severos sobre a difamação da religião.

"Sempre nos opusemos vigorosamente contra as leis de blasfêmia do Paquistão, que são a fonte de tanta injustiça no país, especialmente para as minorias religiosas e dissidentes muçulmanos", disse John Graz, secretário-geral da Associação Internacional de Liberdade Religiosa.

"Todos os defensores da liberdade religiosa devem expressar solidariedade com as famílias afetadas e encorajar o governo a reformar essa legislação", disse ele.

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