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A celebração da liberdade religiosa no Brasil destaca a coexistência pacífica

A celebração da liberdade religiosa no Brasil destaca a coexistência pacífica

Cerca de 30 mil participantes do Festival Mundial de Liberdade Religiosa lotaram o Vale do Anhangabaú, em São Paulo, Brasil, em 25 de maio. O evento reuniu representantes de 20 grupos religiosos para promover a liberdade de consciência.

Protestantes, católicos, muçulmanos, e líderes de 20 religiões representadas no festival

May 28, 2013 | São Paulo, Brazil | Felipe Lemos/ASN and ANN staff

Líderes regionais de 20 grupos religiosos se comprometeram a continuar defendendo a liberdade religiosa no Brasil durante um festival de fim de semana patrocinado pela Associação Internacional de Liberdade Religiosa, que já tem 120 anos de existência.



A celebração da liberdade de consciência, que destacou a coexistência pacífica entre grupos religiosos no Brasil, atraiu cerca de 30 mil participantes para o segundo Festival Mundial de Liberdade Religiosa, no sábado, 25 de maio, no Vale do Anhangabaú, uma área pública aberta no centro de São Paulo.

Edson Rosa, secretário-executivo da AILR na América do Sul, se dirigiu à multidão destacando a necessidade de um trabalho contínuo na promoção da liberdade de fé. “Se ficarmos quietos e não falarmos sobre isso estaremos dando oportunidade às pessoas com preconceitos prejudicarem a plena liberdade de expressão e de consciência”, disse ele. “Portanto, devemos falar mais sobre isso”.

O festival motivou a Câmara Municipal paulistana a declarar 25 de maio “Dia da Liberdade Religiosa”, e a celebração do final de semana foi noticiada pela agência de notícias O Globo.

A AILR realiza vários festivais regionais cada ano como uma oportunidade para agradecer aos países e seus governantes que permitam a liberdade religiosa. O primeiro festival mundial da AILR deu-se no Peru em 2009.

Nos dias que precederam o encontro no centro de São Paulo, a AILR também patrocinou simpósios com líderes religiosos e representantes do governo local.

Em 22 de maio, um grupo se reuniu para um Simpósio Internacional de Direito e Liberdade Religiosa da Ordem dos Advogados do Brasil [OAB]. O presidente da entidade, Marcos Costa, dirigiu-se ao grupo, dizendo: “Vamos continuar a apoiar esta comissão porque acreditamos que é uma questão de respeito e amor ao próximo”.



Numa entrevista separada, Damaris Kuo, que preside a Comissão da OAB sobre a liberdade religiosa, disse que mesmo em meio à coexistência pacífica entre a maior parte dos grupos religiosos no Brasil, ainda há situações a cada dia onde intervenção legal se faz necessária para evitar a violação de direitos.

Brian Grim, diretor do Fórum de Pesquisa Pew Sobre Religião e Vida Pública, ofereceu uma visão geral da liberdade de consciência. Disse que 40 por cento dos países do mundo têm restrições de monta dos direitos de liberdade religiosa. Além disso, um terço dos países têm regras que forçam as pessoas a professarem algum tipo de religião, proibindo o ateísmo. Em 31 por cento dos países, Grim disse, a intolerância religiosa muitas vezes pode resultar em prisões.

Em 23 de maio, um salão da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo sediou o Fórum Internacional de Liberdade Religiosa. O encontro contou com ativistas de liberdade de consciência, advogados e representantes de várias religiões, incluindo da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, da Igreja Católica, da Assembléia de Deus, dos batistas e da Igreja Adventista do Sétimo dia.

Hoje, cerca de 65 por cento da população do Brasil, identifica-se como católica, 22 por cento são protestantes, e 15 por cento dizem que não têm fé religiosa, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A população de evangélicos tem crescido nos últimos anos no país majoritariamente cristão.

Glauber Alencar, líder do Conselho de Ministros do Estado de São Paulo, disse que a tolerância religiosa é importante e continua a ser uma pedra angular do Conselho.



Na cerimônia principal do festival no sábado, representantes do governo incluíram Gilberto Carvalho, que atua como ministro-chefe da secretaria da presidente Dilma Rousseff, o vereador Paulo Frange, da cidade de São Paulo, autor da legislação que assinala 25 de maio como o Dia da Liberdade Religiosa na Prefeitura, e outro legislador a assistir foi o deputado estadual Campos Machado, que já escreveu legislação destacando a liberdade religiosa.

Odilo Scherer, arcebispo da Igreja Católica em São Paulo, elogiou as ações que promovem a liberdade religiosa, dizendo que o Brasil é um lugar tranquilo porque não existem leis que proíbam a escolha de fé e nem perseguição. Ainda assim, Scherer disse que havia uma necessidade de conscientização para não se excluir a participação de pessoas religiosas na sociedade. “Se você fizer isso, vai ser um problema e um obstáculo para a liberdade religiosa, especialmente quando os cidadãos que professam qualquer religião têm menos oportunidade e sofrem discriminação”, disse ele.

O Sheikh Jihad Hammadeh, presidente da União Nacional das Entidades Islâmicas, disse que o evento era necessário como “uma forma de reafirmar o compromisso com uma sociedade pluralista de respeito mútuo”. Ele também disse que estava contente com a legislação brasileira que garante o direito fundamental de crença, mas ainda há trabalho a fazer na educação das pessoas para tolerar crenças diferentes da sua. Há cerca de 35 mil muçulmanos no Brasil.

Claudio Costa, presidente da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias no Brasil, disse que o país é um modelo de co-existência de diferentes religiões pacíficas. “O Brasil pode mostrar aos outros países que isso é bom, saudável e correto”, disse ele.

Ted N. C. Wilson, presidente mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia, declarou: “A liberdade religiosa é um dom de Deus que devemos manter como um tesouro.”

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