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Conferência acadêmica na Espanha promove tolerância para com as minorias religiosas

Conferência acadêmica na Espanha promove tolerância para com as minorias religiosas

Academic, political and faith leaders discuss the rights and responsibilities of religious minorities at the first International Conference on Religious Liberty and Religious Minorities. The group was joined by students from the Complutense University of Madrid School of Law, which hosted the event. [photo courtesy AIDLR]

Faculdade de Direito da Universidade Complutense de Madrid organiza evento internacional

January 23, 2014 | Silver Spring, Maryland, Estados Unidos | ANN staff

Defensores da liberdade religiosa na Europa esperam que uma conferência acadêmica na Espanha na semana passada leve a um maior reconhecimento da causa da liberdade religiosa para as religiões minoritárias no país e nações vizinhas.<u1:p></u1:p>

A Associação Internacional para a Defesa da Liberdade Religiosa (sigla em inglês AIDLR ) e o Instituto de Direitos Humanos da universidade pública de maior prestígio da Espanha, realizaram a primeira Conferência Internacional sobre Liberdade Religiosa e Minorias Religiosas de 17 a 20 de janeiro.

O evento atraiu dezenas de líderes acadêmicos, figuras políticas e advogados—entre eles adventistas do sétimo dia, para o amplo campus da Universidade Complutense de Madri, uma universidade de sete séculos de existência no país.

Falando na conferência, Alexy Koshemyakov, dirigente do Departamento das Minorias Nacionais e Antidiscriminação no Conselho da Europa, em Estrasburgo, defendeu a criação de uma instituição específica na Europa para tratar de questões de liberdade religiosa. Ele também ofereceu uma visão geral sobre os últimos desenvolvimentos no diálogo inter-religioso na Europa.

“Talvez isso vai abrir a porta para um dia termos um Dia da Liberdade Religiosa no país”, disse John Graz, secretário-geral da Associação Internacional de Liberdade Religiosa.

Cerca de 100 estudantes da Faculdade de Direito da Universidade Complutense de Madri, que sediou o evento, uniram-se aos participantes para discussões no período da tarde. Grande parte da conferência centrou-se em encontrar o equilíbrio adequado entre as necessidades das minorias religiosas e as da sociedade mais ampla.

O Dr. Jeremy Gunn, professor de Estudos Internacionais da Universidade Al Akhawayn, do Marrocos, disse que alguns dos “maiores confrontos” estão dentro, em vez de entre grupos religiosos, à medida que seitas religiosas disputam influência. “Há minorias, mesmo dentro das religiões”, disse Gunn. “A tolerância e respeito devem ser os valores fundamentais de cada grupo”.

Os participantes também discutiram maneiras pelas quais os governos, grupos religiosos, a comunidade acadêmica e a sociedade civil podem promover e proteger a liberdade religiosa.

Belen Alfaro, embaixador-amplo para a Aliança de Civilizações das Nações Unidas, destacou a necessidade de “uma cultura de paz, que lute contra a intolerância através do diálogo”. O presidente da AIDLR, Bruno Vertallier, concordou. “O meu desejo é que possamos estabelecer novos caminhos para a liberdade religiosa, tolerância e respeito por meio do diálogo”, disse ele. 

Ganoune Diop, assessor da Igreja Adventista a nível mundial junto à ONU, lembrou que a dignidade é o cerne de todos os direitos humanos, incluindo a liberdade religiosa, que é essencial. “A dignidade é um selo sagrado e divino”, disse Diop. “Todo ser humano tem dignidade, porque todo ser humano foi criado à imagem de Deus”. 

Quando a questão da política pública surgiu, Harri Kuhalampi, representante do Departamento de Educação e Cultura do Parlamento Europeu, salientou que as atitudes pessoais em relação a tolerância, hospitalidade e respeito são igualmente vitais. “A cooperação no seio das comunidades é tão importante quanto a legislação governamental”, disse ele. 

Heiner Bielefeldt, relator especial das Nações Unidas sobre a liberdade de religião ou crença, tinha um outro lembrete: a liberdade religiosa é dinâmica, não estática. Sendo que atenção e conscientização diminuem, também isso pode dar-se com liberdades religiosas, acentuou.

A conferência incluiu um giro por Toledo, uma cidade chamada pelos organizadores de “oásis” de tolerância religiosa entre cristãos, muçulmanos e judeus. Muitas sinagogas, mesquitas e igrejas que datam do século 10 agora servem como museus.

A Igreja Adventista Central de Madri organizou um concerto de liberdade religiosa na noite final da conferência, atraindo cerca de 500 membros da comunidade. O organizador Liviu Olteanu chamou a igreja um local apropriado para um evento destacando os direitos das minorias religiosas.

A Espanha é 94 por cento católica. 16.000 adventistas do sétimo dia do país estão entre outros grupos religiosos que compõem os 6 por cento restantes da população. 

A Associação Internacional para a Defesa da Liberdade Religiosa é uma organização não-governamental com sede em Berna, Suíça. A organização está comprometida com a defesa da liberdade de pensamento e publica a revista anual “Consciência e Liberdade”.

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