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Membros do painel narram histórias comoventes de quebrantamento, mudança

Membros do painel narram histórias comoventes de quebrantamento, mudança

Um painel de três adventistas que anteriormente viviam estilos de vida homossexuais falaram à reunião de cúpula sobre sexualidade da denominação, em 18 de março. Desde a direita: Ron Woolsey, Virna Santos, Wayne Blakely. À esquerda está Bill Knott, editor da revista ‘Adventist Review’, que moderou o painel. [foto: Ansel Oliver]

Trio conta sua experiência de vida para conferência sobre sexualidade, da IASD

March 20, 2014 | Cidade do Cabo, África do Sul | Adventist Review/ANN staff

Um painel de três adventistas do sétimo dia que vivenciaram estilos de vida homossexuais relataram suas histórias na última noite durante a cúpula da denominação sobre a sexualidade, discutindo suas jornadas de abandono da atividade homossexual.

Ron Woolsey, um pastor adventista e fundador do “Ministério Caminho Estreito”, Virna Santos, presidente do ministério “Por Contemplar o Seu amor”, e Wayne Blakely, fundador dos “Ministérios Conheça o Seu Amor”, dirigiram-se aos presentes à conferência. A Igreja Adventista a nível mundial esta semana está realizando o encontro de cúpula “À Imagem de Deus: Escritura. Sexualidade. Society” no Centro Internacional de Convenções da Cidade do Cabo, África do Sul.

“Estamos aqui hoje para ouvir depoimentos”, disse o moderador do grupo, Bill Knott, editor do periódico ‘Adventist Review’. “Estamos aqui para ouvir crentes contando as histórias de como Deus os redimiu”.

Knott convidou os palestrantes a compartilharem suas experiências em vários estágios de vida diferentes. 

Woolsey disse que cresceu num “bom lar adventista”, mas foi molestado quando criança por um amigo da família. A partir de então, ele se viu cada vez mais forçado a relações do mesmo sexo. Enquanto participava de um colégio adventista, começou a namorar e, finalmente, se casou, pensando que o casamento era uma solução para a sua identidade e conturbadas relações. Contudo, quando sua jovem esposa descobriu seus relacionamentos contínuos com homens, o casamento foi logo dissolvido.

Depois de mais de 15 anos em vários relacionamentos gays, Woolsey retornou à sua fé da infância e a um relacionamento com Cristo através da leitura da Bíblia e dos escritos de Ellen G. White, co-fundadora da Igreja Adventista do Sétimo dia. “Comecei a ler 'Caminho a Cristo' com um cigarro na mão e um Martini ao meu lado”, observou ironicamente. “Pelo capítulo 5, eu tinha me livrado do cigarro”. 

Woolsey foi rebatizado, e logo começou a contar sua história de recuperação para grupos em igrejas por todos os Estados Unidos. Agora, casado há 21 anos, é pai de cinco filhos, e um pastor ordenado da Igreja na Associação Arkansas-Louisiana.

Para Wayne Blakely, a rejeição cedo na infância por sua mãe—que havia desejado uma filha—logo o levou a buscar relacionamentos masculinos. Colocado em diversas situações adotivas, ele foi criado por uma sucessão de parentes que observavam seus comportamentos desafiadores e o mandaram para psicólogos e pastores para aconselhamento.

Convidado, aos 18 anos por um amigo da faculdade a participar de uma comunidade gay, Blakely disse que encontrou lá uma aceitação que não tinha conhecido anteriormente. “Foi quando eu desisti de Deus”, disse ele. 

Seguiram-se mais de 30 anos de múltiplos parceiros sexuais e uso de drogas com Blakely acompanhando a morte de 40 amigos gays durante os primeiros anos da epidemia de HIV/AIDS. 

Uma série de providências divinas o trouxe de volta à fé, Blakely disse, incluindo as orações dos amigos que não tinham desistido dele. Em sua juventude, Blakely disse que levantou a oração: “Deus, faça-me hétero”. Retrospectivamente, agora ele percebe que uma mudança de orientação não era o seu objetivo: conhecer a Cristo como seu Salvador era realmente o objetivo.

Santos acredita que sua jornada para o lesbianismo foi enraizada numa situação familiar dolorosa e disfuncional. Sendo vítima de abuso sexual na infância, “Ninguém me disse que [o abuso] não foi a minha culpa”, contou ela.

A família de Santos entrou para a Igreja Adventista no final da sua adolescência, mas ela lutava com a atração pelo mesmo sexo durante a faculdade e, secretamente, manteve uma relação lésbica. Mudou-se para San Francisco e tornou-se uma ativista política dos direitos dos homossexuais, e teria sido a primeira a adotar criança sob a lei AB25 no estado da Califórnia, EUA, que permitia que casais do mesmo sexo adotassem crianças uns dos outros. A decepção dramática para a comunidade de gays e lésbicas, que se seguiu à aprovação da Proposição 8 da Califórnia, que não mais permitia o casamento gay, revelou-se uma crise para Santos.

Um interesse despertado pelo adventismo foi acompanhado por uma série de profundas experiências espirituais pessoais que acentuou para Santos a importância do ensinamento da Igreja sobre o significado e a relevância do santuário celestial. Compreendendo pela primeira vez que Jesus era o seu advogado ela começou a reavaliar a vida que tinha até então levado.

Um culto de Santa Ceia cedo pela manhã num sábado se tornou o ponto crucial para Santos, que recorda sua admiração de que a esposa do pastor estivesse lavando os pés de uma lésbica orgulhosa.

O moderador do Painel, Knott, fez uma pergunta sobre se as histórias dos participantes deviam ser tidas por típicas: “Nas últimas semanas, tem havido um número de vozes a questionar a autenticidade deste evento porque os organizadores optaram por ouvir principalmente aqueles que são homossexuais não praticantes. Como responderiam a esses comentários?

Woolsey respondeu: “Todos estivemos lá. Estivemos onde eles estão. Apresentamos os mesmos argumentos por toda a nossa vida. Saímos fora disso. Aprendemos a colocar a Deus em primeiro lugar, não o eu”.

Santos disse que compartilhava com suas amigas lésbicas a história de sua conversão, dizendo: “Eu tive uma experiência com Jesus Cristo e já não sou lésbica. Mas não sou melhor do que você”. Ela se lembra a parceira de uma amiga dizendo: “Eu estou feliz por você. Posso ver pelo seu rosto. Você encontrou o amor da sua vida”.

Santos lembrou aos delegados: “Não somos melhores do que eles”. Ela disse ser amiga de muitos que escreveram para expressar preocupações sobre o encontro. “Deus está interessado em ter um relacionamento. Ele foi à minha procura. . . . Tenho fé em que mesmo os meus amigos vão estar batendo à nossa porta em breve”.

Perguntas escritas dos delegados concluíram a sessão de 90 minutos, e abordavam se os debatedores ainda se consideravam gays ou lésbica; como a Igreja deve tratar indivíduos com atração a pessoas do mesmo sexo que são praticantes; e a natureza dos ministérios em que cada palestrante agora serve. Interrompida frequentemente pelos aplausos da audiência, os três continuaram a descrever o poder transformador de Cristo como a causa de suas novas vidas. 

“Temos visto e ouvido coragem aqui esta noite”, Knott concluiu. Com aplausos persistentes da audiência, acrescentou: “Vamos expressar nossa gratidão aos que compartilharam seus testemunhos de redenção com a gente”.

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