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Destacando o poder da religião em estabelecer a paz, apesar de seu histórico misto

Durante a 17ª reunião anual de especialistas em liberdade religiosa, acadêmicos examinam o poder tanto destrutivo quanto curativo da fé na sociedade

Destacando o poder da religião em estabelecer a paz, apesar de seu histórico misto

[Foto de Barry Bussey]

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Durante a 17ª reunião anual de especialistas em liberdade religiosa, acadêmicos examinam o poder tanto destrutivo quanto curativo da fé na sociedade


Um grupo de acadêmicos, advogados e defensores da liberdade religiosa se reuniu na semana passada para desafiar a crença generalizada de que a religião é principalmente uma força de divisão na sociedade, alimentando a tensão e a violência. A 17ª “Reunião de Especialistas”, organizada anualmente pela Associação Internacional de Liberdade Religiosa (IRLA), reuniu cerca de 20 acadêmicos da Faculdade de Direito da Universidade Pepperdine, em Malibu, Califórnia, para se considerar o papel da religião nos conflitos globais atuais, e enfocar as formas em que a fé pode, em vez disso, ser uma força poderosa para o estabelecimento da paz e resolução de conflitos.

“Precisamos utilizar a fé ancorada no perdão e na reconciliação”, disse o embaixador Robert A. Seiple, um ex-embaixador pleno dos Estados Unidos para a Liberdade Religiosa, e atual presidente da IRLA. “Precisamos conhecer a nossa própria fé, e da mesma forma, precisamos entender a fé do nosso vizinho e respeitá-la”.

O Embaixador Seiple, que ofereceu a primeira de dez das principais apresentações, deu enfoque a sua experiência em primeira mão por ocasião do horrível genocídio de 1994 em Ruanda. Ele descreveu sua visita ao país no rescaldo da violência, vendo ali, de sobre uma ponte, um rio obstruído por centenas de corpos em decomposição. Segundo o embaixador Seiple, um dos aspectos mais preocupantes do genocídio de Ruanda foi ter ocorrido dentro de um país “cristianizado”, onde 85 por cento do total da população se identifica como cristã. Mas, apesar desse fracasso colossal por parte das Igrejas em 1994, valores religiosos, desde então, vêm desempenhando um papel vital na reconstrução da estabilidade social. Ao recuperarem o seu país, os ruandeses têm mostrado ao mundo o poder do perdão, disse o embaixador Seiple. Ele observou que muitos perpetradores do genocídio estão hoje vivendo lado a lado com as suas vítimas.

De acordo com o Dr. Ganoune Diop, secretário-geral da IRLA, cada apresentação durante o evento de quatro dias foi modelada de alguma forma por duas questões fundamentais: “Como podemos conviver com as nossas diferenças mais profundas?” e: “Como pode o melhor das religiões superar o registro abismal de guerras religiosas, limpeza étnica religiosa, e genocídios alimentados por discriminação religiosa?”

Embora a Reunião de Especialistas examine essas questões do ponto de vista acadêmico, os temas que orientam o trabalho desses estudiosos estão longe de serem abstratos. “Muitas pessoas sofrem discriminação, perseguição, ou até mesmo martírio ou genocídio por causa de suas diferenças religiosas”, acentua o Dr. Diop. De acordo com um estudo do Pew Forum lançado no início deste ano, cerca de 5,5 bilhões de pessoas, ou 77 por cento da população, vivem em países com “um nível geral elevado ou muito elevado de restrições à religião”.[1]

O encontro reuniu um painel diversificado de estudiosos representando universidades e organizações de sete países. Os apresentadores incluíam o Dr. David Little, professor emérito da Escola de Teologia Harvard; Rev. Canon Brian Cox, vice-presidente sênior do Centro Internacional para a Religião e Diplomacia; Professor Cole Durham, presidente do Consórcio Internacional de Direito e Estudos da Religião, sediada em Milão, Itália; Prof. T. Jeremy Gunn, professor de Relações Internacionais na Universidade Al Akhawayn em Ifrane, Marrocos; e, Dr. Amal Idrissi, professor de direito na Universidade de Moulay Ismael, em Meknes, Marrocos.

Ao longo das últimas duas décadas, a Reunião de Especialistas tem objetivado reunir alguns dos estudiosos e profissionais mais importantes do mundo no campo da liberdade religiosa para monitorar as tendências jurídicas e sociológicas. Trabalhos apresentados nas reuniões anuais são publicados, e têm produzido um conjunto significativo de recursos acadêmicos e práticos. Os documentos produzidos pela Reunião de Especialistas deste ano serão publicados na edição de ‘Fides et Libetas 2015’, que estará disponível ainda este ano a partir da IRLA, e pode ser vistos através do seu website, www.irla.org ou sua página no Facebook em www.facebook.com/IRLA.HQ.

A IRLA foi estabelecida pela Igreja Adventista do Sétimo Dia em 1893 e é a mais antiga organização de defesa da liberdade religiosa no mundo. Ela promove a liberdade de crença para todas as pessoas, independentemente da fé, e tem o estatuto de organização não-governamental nas Nações Unidas. Junto com a reunião anual de especialistas, a IRLA patrocina festivais de liberdade religiosa regionais e fóruns, e a cada cinco anos organiza um congresso mundial, que atrai uma mistura internacional de estudiosos, profissionais do direito, funcionários do governo e defensores dos direitos humanos.


[1] Para o estudo completo, visite o site da Pew Forum em www.pewforum.org/2015/02/26/religious-hostilities/